Entrevista Juan Sánchez Morales, responsável QHSE Grupo Magna
1. Em que é que consistem as suas funções como Responsável de QHSE do grupo Magna?
Integrar, manter e gerir um Sistema de Gestão, que é um conjunto estruturado de processos, políticas e práticas que uma organização implementa para alcançar objetivos específicos como a qualidade, o cuidado do meio ambiente ou a segurança e saúde no trabalho, seguindo padrões internacionais reconhecidos. No nosso caso, trata-se de um sistema baseado em Normas ISO internacionais para QHSE (Quality, Health, Safety, Environment).
Estas normas, como a ISO 9001, ISO 14001 ou ISO 45001, ajudam a melhorar o rendimento, garantir o cumprimento legal e fomentar a melhoria contínua, proporcionando confiança tanto dentro como fora da organização.
2. A Magna tem várias certificações ISO que avalizam os serviços que oferecem. Quais são?
Atualmente dispomos de três, certificadas pela AENOR, para toda a nossa atividade, tanto na Espanha como a nível internacional: ISO9001 (Gestão da Qualidade); ISO14001 (Gestão Ambiental); ISO45001 (Gestão da Segurança e da Saúde no Trabalho).
3. Que é que os motivou a implementá-las?
A implantação de um sistema de gestão proporciona uma grande série de benefícios, que abrangem desde o autoconhecimento da organização, até à otimização de processos, ou a tranquilidade e garantias que proporcionam aos nossos clientes.
4. Como é que acha que uma gestão integrada pode ser um fator diferenciador fundamental para a Magna no mercado atual, especialmente face à concorrência?
A construção é um setor complexo e em que, infelizmente também existem empresas desorganizadas e pouco profissionais. Estes tipos de sistemas de gestão oferecem tranquilidade no mercado por estarem certificados por organismos avaliadores externos de prestígio internacional reconhecido. Garantem, além disso, que dispomos de processos definidos com sistemas de seguimento que visam o cumprimento dos requisitos dos nossos clientes.
No nosso caso, com três Normas ISO implantadas, dispomos de um sistema que integra a gestão, reunindo os requisitos homólogos entre normas e facilitando a sua execução operacional.
5. Que novas tecnologias ou metodologias emergentes no âmbito da construção é que acha que terão um maior impacto na gestão da qualidade e como é que se planeia a sua incorporação na Magna?
A digitalização de todos os processos, especialmente no que está relacionado com a conceção, desenvolvimento, seguimento e gestão de projetos já é um facto. Já temos ferramentas no mercado que permitem uma gestão totalmente digitalizada de todo o projeto, otimizando tempos em cada uma das fases envolvidas e garantindo um rastreio até há pouco tempo impensável.
A robótica e a industrialização nos processos de construção (como, por exemplo, os pré-fabricados de betão), também se estendem com força, permitindo tempos de execução cada vez menores, simplificando os processos nas obras, reduzindo riscos e proporcionando muito à gestão ambiental.
6. Como é que fomenta uma cultura de qualidade em toda a organização, desde a alta direção até às equipas nas obras?
Formação, formação e formação. Na MAGNA mantemos um Plano de Formação vivo, que nos permite abordar ações de consciencialização, tanto com a nossa equipa, como com as equipas dos nossos parceiros, tornando-os participantes dos nossos compromissos em matéria de sustentabilidade.
7 Quais é que considera que são atualmente os maiores desafios na gestão destas três áreas no setor da construção e como é que o seu departamento os está a abordar?
Cada projeto é único, pelo que se geram desafios diferentes em cada um deles.
Não há dúvida de que uma identificação adequada dos riscos e um planeamento correto são a base para uma gestão bem-sucedida de cada projeto, mas isto não é um trabalho único do meu departamento. Toda a organização se envolve, desde a fase de licitação e do estudo inicial do projeto, até à fase de execução e entrega.
Em cada passo, analisam-se os riscos, tomam-se decisões e geram-se planeamentos para garantir os melhores resultados e prevenir a ocorrência de incidentes.
Não obstante, atrever-me-ia a indicar que os principais desafios passam por evitar a ocorrência de acidentes nas obras, garantir uma gestão adequada dos resíduos e assegurar o rastreio documental da qualidade.
8. Como é que integra a gestão de riscos desde as fases iniciais de um projeto para prevenir problemas antes que eles ocorram?
Como disse, trata-se de um trabalho em equipa. Desde a fase de estudo já se identificam riscos inerentes ao projeto e se tomam as decisões consideradas pertinentes a este respeito, documentando-se e comunicando-se entre departamentos em cada mudança de fase.
A partir do meu departamento, efetuamos o seguimento para verificarmos o cumprimento das medidas estabelecidas, dos procedimentos internos, dos planeamentos, dos requisitos legais, etc.
Adicionalmente, deve-se destacar que fazemos parte do Pacto Mundial das Nações Unidas, a maior iniciativa de sustentabilidade a nível mundial.
Também somos avaliados anualmente pela Ecovadis, o maior avaliador em matéria de Sustentabilidade a nível internacional, tendo obtido a Medalha de Prata com um percentil 88, o que nos posiciona nos 12% da parte alta da tabela, acima de outras centenas de empresas do setor.